terça-feira, 15 de setembro de 2009

Campanha contra Aids usa Hitler como garoto propaganda...ou de programa.

Foi a nova campanha alemã de prevenção da Aids veiculada na TV, lançada sob o lema "A Aids é um assassino em massa. Proteja-se". As imagens são ousadas, mas não fogem ao padrão de erotismo de outras campanhas semelhantes. A surpresa surge quando, após os 47 segundos de vídeo, se percebe que o homem envolvido nesta cena é Adolf Hitler. A alusão a "assassino em massa" ganhou novos contornos e instalou a polêmica.

O conceito desenvolvido pela agência alemã Das Comitee - que contempla também cartazes com Hitler, Estalin e Saddam Hussein - atingiu o primeiro objectivo, cumpriu o papel publicitário criando um recall em torno do assunto: despertar a atenção dos alemães para o facto de a Aids já ter matado cerca de 30 milhões de pessoas em todo o mundo. O publicitário criador, Dirl Silz, justifica que o vírus da Aids não poderia ter uma cara boa, e que o rosto escolhido provocou o mesmo horror que o vírus da Aids vem causando no mundo.

A agência planejou estrategicamente a ação e tudo saiu conforme previsto. Queriam fazer o oba-oba, gerar polêmica, sacudir, chamar atenção de todos antes da Jornada Mundial contra a Aids, agendada pra o dia 1º de dezembro. Conseguiram.


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Os pedidos de suspensão da campanha não tardaram. E reabriram também a discussão sobre as fronteiras que a publicidade não deve atravessar. O senso comum diz que os limites da publicidade são o bom senso e a lei. Mas Jorge Teixeira, diretor criativo da agência Excentric, vai mais longe: "Geralmente o limite da publicidade é o bom senso de quem passa o cheque."


As agências arriscam sempre um pouco mais quando não há uma relação cliente/agência tradicional: é uma causa mais abstrata e que não arrisca ferir o patrimônio do investidor. Além disso, estas polêmicas permitem promover as agências e ganhar prêmios. Isso é mais difícil de conseguir no trabalho normal do publicitário.

Um comentário:

  1. Hoje é fato que o chamado "Primeiro Mundo" relegou o preservativo a segundo plano, cai cada vez mais os numeros de usuarios da camisinha nesses países. A revista Time (CNN), publicou que, segundo a agencia, só uma campanha de forte impacto é capaz de reconscientizar a juventude germanica do perigo da Aids.

    Creio que a campanha é valida, pois acredito em campanhas de impacto para a conscientização. Porém, nós brasileiros não enxergamos "tabus" na nossa história, por isso é complicado entender as controversias causadas aos alemães!!

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